Logística reversa entre cidades

O conceito de logística reversa entre cidades é tão importante que foi introduzido na legislação ambiental pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010 e regulamentada pelo Decreto Nº 7.404 de 23 de dezembro de 2010. A lei a define como um “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação”.

Logística reversa entre cidades

Uma logística reversa eficiente, que permite então a coleta de um produto pela troca por outro ou simplesmente sua devolução, independente do motivo, é fundamental para qualquer empresa que comercializa bens e produtos, principalmente para fidelizar seus clientes. Mas é preciso estar consciente de que ela acarreta custos, principalmente se pensarmos em variáveis como o combustível. Estimativas da Associação Brasileira de Movimentação e Logística apontam que esse custo pode girar em torno de 4% do total despendido com logística. À medida que as empresas utilizam recorrentemente essa ferramenta, seja por ineficiência operacional ou por características do mercado de atuação, esse valor tende a subir. No comércio eletrônico, a questão da entrega e, sobretudo, a logística reversa é um problema real e acaba sendo o calcanhar de Aquiles, ou seja, o ponto fraco dos e-commerces.

As lojas online, principalmente as de pequeno e médio porte, costumam precificar o produto e o valor da entrega, mas não a devolução dele. O custo com a logística reversa – e sua eficiência – não entra na conta nesse primeiro momento. Mas esse erro não pode ser cometido. A experiência do consumidor – que quer receber exatamente o produto que comprou ou efetuar a troca dele e o mais rápido possível – também deve ser calculado.

A eficiência da logística reversa para o comércio eletrônico parte da redução de falhas operacionais e do entendimento dos direitos regulatórios do Código de Defesa ao Consumidor (CDC), em seu artigo 49, que prevê que a devolução do produto deve ser feita em até sete dias a partir da data do ato da compra. Ou seja, as empresas precisam evitar falhas nos pedidos e, ainda, diminuir a morosidade na realização das entregas – a falta de agilidade na chamada logística de última milha pode levar o cliente a não querer mais o produto, ocasionando, também, em sua devolução.

Se entregar um produto dentro do prazo dá trabalho, realizar a logística reversa exige esforço redobrado. Considerando que o produto deva ser retirado na casa do consumidor, há que se ter em mente aspectos como a disponibilidade do cliente no local, dando a ele o direito de escolher data e horário para a retirada do produto e tempo médio de acesso ao local, considerando fatores externos como clima e trânsito. E lidar, claro, com as expectativas e ansiedades do consumidor e sua consequente variação de humor, que vai depender do tamanho do transtorno que lhe foi causado.

Segmentos do e-commerce mais sensíveis à utilização da logística reversa, como o de vestuário, podem adotar algumas medidas para amenizar custos ou recorrências. No caso de, por exemplo, o cliente final requisitar a troca de uma peça, a empresa fornecedora daquele produto pode enviar mais de uma opção, com cores ou tamanhos diferentes, pré-escolhidos pelo cliente, para ele provar. Ações assertivas como essa ajudam a evitar uma recorrência de devolução do produto. Ganham consumidor e empresa.

Os desafios da logística reversa, porém, são os mesmos da logística tradicional – em especial entre cidades. Para aumentar a sua eficiência, o uso da tecnologia serve cada vez mais como um facilitador. Aplicativos mobile ou plataformas web conectam empresas a colaboradores – como motoboys ou vans -, que realizam a retirada do produto em intervalos curtos de tempo.

Esse aumento de eficiência é ainda maior quando uma loja faz tanto a entrega de um produto como a retirada dele dentro da mesma região. O casamento das demandas resulta em redução significativa de custo para a empresa e melhora a experiência de compra para o consumidor, o que retorna em fidelização.

Fonte. ecommercenews.com.br

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